O que é ser uma pessoa LGBTI+ e evangélica? Como pessoas LGBTI+ lidaram com suas famílias, amigos e igrejas na hora de sair do armário? Como vivenciaram e vivenciam sua espiritualidade? Quais são suas esperanças?

Nessa página você encontra histórias e testemunhos de pessoas reais que decidiram compartilhar um pouco da sua trajetória como pessoa LGBTI+ e evangélica.

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Bob Luiz Botelho

“Chorei muito, orei muito. Eu ungia meu quarto, eu ungia a porta, eu ungia o computador, eu fiz jejum, eu fiquei 13 dias sem comer nada aos 14 anos de idade porque eu queria ser curado e eu falei, eu só vou comer quando Deus me curar… Todo porque eu queria ser curado de uma coisa  que eu ainda nem conseguia lhe dar um nome. Se você perguntar para mim, Bob, na adolescência você se reconhecia como homossexual? Eu falo não, não que eu não percebesse os desejos que eu tinha, mas eu não dava esse nome. Eu não tinha coragem de nomear dessa forma. Eu achava que era demônio eu achava que era crise, aí a gente começa procurar explicações. A Igreja Evangélica tem esses caminhos para tentar achar uma explicação: não é que ele é homossexual porque ele foi abusado, ou foi porque o pai foi ausente, o foi porque a mãe amou demais”.

“Mais tarde quando eu passo pelo meu processo de me reconhecer como homossexual eu passo para um processo de luta interna muito grande porque eu não quero abrir mão de Jesus. Jesus faz muito sentido na história da minha trajetória… Eu precisei lutar para continuar com Jesus porque assim, a Igreja não quer que eu fique com Jesus. É confortável para a Igreja dizer que eu me afastei do Evangelho porque eu sou gay. Eles se sentem confortáveis quando eu falo “eu não sou mais cristão” porque o discurso da Igreja é que os homossexuais são pervertidos, vivem sem Jesus, vivem uma vida promíscua, aquele preconceito né? E aí quando eu falo para eles, olha eu sou gay mas eu também sou crente aí dá um… “como assim?”

“E aí depois eu tive que fazer escolhas, ou escolher o rigor do texto bíblico ou eu me escolhia. E aí eu precisei entender que o sagrado é minha vida. Mais do que o texto. Minha vida é sagrada para mim. Jesus morreu por mim e não pelo livro. Jesus venceu a morte por causa do meu corpo e não pelo livro. Aliás o objetivo do livro é contar para o mundo a história de um Deus que se faz homem para que todo mundo tenha vida. Como é que esse livro vai me quitar a vida, vai destruir a minha existência? E aí eu tive que olhar. Porque ele ainda é o livro que faz sentido para mim e hoje justamente eu uso esse livro para afirmar LGBTs. Eu entendo a Bíblia e eu percebo que a Bíblia manifesta o amor de Deus por mim e por todos os LGBTs e é isso que me move. Depois que eu tirei esse óculos fundamentalista e eu coloquei o óculos de vida, cara, aí a Bíblia é um livro ótimo.

“João, Capítulo primeiro: No princípio era a palavra, e a palavra estava com Deus, a palavra era Deus. E ai Jesus vira para a gente em outra passagem e ele fala assim: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. E aí a gente parar para pensar que toda a verdade de Jesus tem que gerar vida. Quando usam a Bíblia para gerar morte na minha existência, para me gerar depressão, ansiedade, tentativa de suicídio, não aceitação sobre mim e meu corpo, as pessoas não estão fazendo Palavra de Deus. Deus disse para mim que eu sou amado, disse para mim “sem mim você não seria quem você é, aliás, se você é o que você é Bob, esse gay cristão, missionário geógrafo você só é porque eu quero que você seja”. Então eu me sinto muito afirmado por Jesus”.